Admirável corpo novo



A minha vida inteira eu fui levada a acreditar que eu era gorda. Quando era bebê beleza, lindinha. Depois veio a infância e eu fui criada junto com a minha prima Marina, de um lado ela brigando pra engordar, no outro eu pra emagrecer. Naquela época diet/ligth era coisa de outro planeta, além de difícil acesso era caro pra caramba! Mas meus pais faziam mega esforço pra comprar porque o médico dizia que eu precisava emagrecer. Eu amava feijão com macarrão, mas isso não podia, engorda. Mas no fim eu acabava comendo mesmo tudo como uma criança normal. E ainda comia o feijão com macarrão da Marina, que tinha um óleo louco pra engordar. 

Se na infância eu já era gorda, na adolescência eu era muito mais. Brigava comigo, com meu corpo. Ficava triste, comia mais. Tentava fazer dieta da proteína, da sopa e de tudo mais que emagrecesse. Mas sempre ficava naquela, comia mal, como a maioria dos adolescentes. Quando eu conheci o Felipe meu maior choque era: Ele me achava bonita!!!!!!!!! Como ele podia me achar bonita? Isso não cabia na minha cabeça no auge dos meus 15 anos. Até que nosso namoro engrenou e eu parei um pouco que encasquetar com isso. E eu vivi alguns bons anos no efeito sanfona, mas mesmo quando eu estava bem me achava gorda, queria mais, sempre perder mais peso. Até que eu cansava e começava a comer um monte de novo.
Quando eu engravidei eu já estava 8 quilos acima do peso considerado saudável pra minha estatura (que não interessa ninguém quanto é). Durante a gestação eu obviamente descontei todas as minhas angustias, medos e frustrações na comida. Na semana que o Davi nasceu eu consegui a proeza de comer um panetone de chocolate INTEIRO. Sim, sozinha. Eu encerrei a minha gestação com 82 quilos, de Laís, de comidas bestas, de placenta, líquido, inchaço e bebê. Durante o primeiro mês era surreal a minha relação com meu corpo eu achava que jamais eu iria me olhar no espelho e sorrir de novo. 
Mas a natureza é sábia, eu fui mudando a minha alimentação (pelas restrições do Davi e depois por minha vontade própria) e segui amamentando em livre demanda, muita água e quase nada de atividade física (porque dá tempo? ainda não muito). 
No dia do Batizado do Davi eu resolvi vasculhar fotos minhas da infância e fiquei chocada com o que vi. Eu não era uma criança gorda, era absurdamente normal. 
Depois disso fui atrás de fotos minhas na adolescência e vejam vocês isso:


Se nem peito eu tinha (HAHAHHA), obesa mesmo eu não era. Essa foto foi no nosso primeiro ano de namoro. Não tinha nada de errado com meu corpo, mas com a minha cabeça tinha muita coisa.

O assunto morreu, até que um dia eu parei no espelho, só de calcinha e sutiã e me olhei, e fiquei ali me olhando. Admirei a minha nova forma. Longe de ser o padrão de beleza imposto pela sociedade, mas eu gostei do que vi. Membros finos, minha cintura tomando forma novamente, mais peitos do que eu tinha antes :) Tinha também as minhas (muitas) estrias. Na balança 24 quilos a menos! SIM VINTE E QUATRO. Sem dieta maluca, sem sofrer, nada. Tudo natural como tem que ser. As roupas já não servem mais, até as antigas já ficam frouxas. 
Mas o melhor de tudo é se sentir bem. Ver no corpo novo as marcas das batalhas vencidas, das derrotas inclusive, do amadurecimento e também da liberdade. Porque se olhar no espelho e ficar feliz com o que vê e não tá nem aí se não é um corpo de capa de revista é o suprassumo da liberdade minha gente.
Liberdade pra mim, pras mulheres. Eu não quero caber numa forma, não quero bisturi pra me criar uma falsa satisfação com meu corpo. Eu quero é evoluir a minha mente ao ponto de que se eu estou cuidando para ter hábitos saudáveis, meu corpo vai ter a forma que ele tem que ter e ser feliz com isso.

nós no aniversário da Kaila