Amamentação, nossa segunda batalha

Todo mundo amamentaria se amamentar fosse de cara assim:
Sim, nós precisamos de apoio
A mulher arrumada, sorrindo e o bebê ali mamando quietinho, bom se pra alguém foi logo desse jeito pra nós não.  Assim que eu e o Davi saímos do Centro Cirúrgico e fomos pra recuperação ele foi colocado no meu peito, mas ele chorava muito e não pegou o peito. Felipe pegou no colo e ele dormiu.
Na maternidade ele praticamente não mamou, porque ele não pegava o peito e as enfermeiras não vieram nenhuma vez ajudar porque a maternidade estava lotada.
Domingo ao meio-dia a pediatra veio nos ver antes de ir pra casa, aí eu disse a ela que a amamentação não estava dando certo, ela me passou o cartão de uma técnica de enfermagem especializada em amamentação.
Chegando em casa foi tudo tranquilo, eu não disse aqui mas o Davi é um bebê anjo. Na maternidade mal ouvimos o chorinho dele. Mas na madrugada de domingo ele começou a chorar e sem parar. Fiquei em pânico, a gente fazia de tudo e nada dele parar. Aí que veio aquela coisa que eu não sabia como ia surgir, o tal do instinto de mãe. Ele tem fome, mas como vou confirmar? Peguei minha bombinha de tirar leite e aí saiu  a confirmação tinha uns 10 ml nos dois lados, o Felipe e minha mãe deram pra ele de colherinha ele se fartou. Quando acabou, voltou a chorar. Agora a gente sabia o problema, mas eu não tinha mais leite, maldita cesárea pensei. No desespero ligamos pra Cris (coitada eram umas 3 da manhã) ela disse, não tem jeito tem que dar NAN até o leite descer. Aí foi mais uma choradeira, poxa já que o parto natural não tinha dado certo eu queria com mais força ainda que a amamentação desse certo. Mas não íamos deixar o Davi com fome, lá saiu o Felipe pra comprar NAN, ele tomou 10 ml e dormiu o resto da noite toda.
No dia seguinte pela manhã foi tudo tranquilo, quando chegou a tarde foi a mesma coisa, ele chorava muito. O Felipe resolveu ligar para a técnica de enfermagem indicada pela maternidade, a Orcélia. Ela nos instruiu como preparar o NAN e combinou de ir na nossa casa no dia seguinte pela manhã. De tarde tomou LA (leite artificial) na mamadeira, a noite tentamos o peito que ele mamou pouco, complementamos com leite materno que eu tirei na bombinha.
No dia seguinte, terça-feira (18/12/12), ela chegou para nos ajudar, foi difícil mas foi a salvação da amamentação. Me instruiu no manuseio da bombinha, intermediário de silicone, etc Ensinou a ordenha manual e como fazer a translactação, porque o meu leite não havia decido muito ainda então ele precisaria complementar. Sentamos na minha poltrona de amamentação, ela me ensinou a postura, como ajudar ele a fazer a pega correta. E nos instruiu para não deixar ele dormir no peito, falou assim: "Mamar é o trabalho, a natureza é sábia, ensina que nada na vida é de graça, desde de bebê ele já tem que se esforçar pelo que quer." Ela foi embora e eu vi um bebê totalmente diferente, cheio, satisfeito, uma benção!
Davi e o nosso reforço para essa batalha, Orcélia.
Na duas mamadas seguintes ele mamou que era uma maravilha, depois já não foi tão fácil assim. Ele chorou, o leite pingava na boca dele e  ele não parava de chorar pra mamar, no desespero fizemos a translactação. Ele tomou tudo e dormiu, na próxima mamada o mesmo. Na madrugada (tudo de pior acontece a noite, pra dificultar) de jeito nenhum que ele pegava no peito, chorava demais, eu chorava junto e nada de mamar, translactamos de novo. Fui dormir chorando, o Felipe então ficou arrasado dizendo que a amamentação estava me destruindo. Mas eu não ia desistir, porque não é da minha personalidade. Quando eu quero eu consigo, exceto coisas fora do meu controle como o parto e a amamentação estava ao meu alcance.
Pedimos socorro de novo! No dia seguinte, logo pela manhã estava a Carol  para tirar as fotos de new born do Davi, mas é claro ele estava chorando. Ela ficou ali e esperou. Lá pelas 8 horas a Orcélia veio de novo, nos deu a maior bronca!!! Dizendo: "Óbvio que ele não pegou o peito, ele é esperto. Se ele chora e vocês dão de um jeito mais fácil pra quê ele vai se esforçar?" E ainda brigou mais com o Felipe e com a minha mãe (que estava lá em casa na época pra ajudar) falou que era o trabalho deles me ajudar e dar apoio emocial para eu conseguir amentar. Nos proibiu de fazer dar o leite de sondinha e disse que agora eu já estava com bastante leite não precisava complementar. Desse dia em diante o Davi só mamou no peito, sem choro.
Batemos as fotos com a Carol na maior paz! E ficaram lindas, claro.
Cada dia eu e ele fomos aprendendo mais, no começo eu precisava de duas pessoas me ajudando, na segunda semana só de uma e na terceira já amamentava sozinha. Hoje o Davi mama sentado na minha perna  por causa do refluxo (história para mais um post) e já consigo ficar com uma mão livre. Essa batalha eu e o meu guerreirinho!!