O desfralde do Davi

*Por Laís de Oliveira

Eu não posso dizer que o desfralde do Davi foi tão tranquilo quanto o desmame, pelo menos do meu lado da coisa.

 

Desde o Verão de 2015, quando o Davi fez dois anos, já começou a rolar aquela leve pressão da sociedade:

“Tá na hora de sair das fraldas né não?”

 

“Ah Laís não vai deixar ele de fralda até grande só pra não perder o garoto propaganda!” (Acreditem, eu ouvi ISSO!)

 

Até aí eu seguia fazendo a famosa cara de alface que a gente aprende a fazer desde que descobre que está grávida. Mas eu preciso acrescentar um detalhe: o Davi tem um amigo três dias mais novo. E o desfralde estava super rolando com ele, e como eu e a mãe desse amiguinho somos muito amigas, ela ia me contando tudo como estava fazendo.

 

Então, eu resolvi tentar. Dezembro, férias, porque não?

 

Resultado: uma semana inteira de xixi no chão.

 

O objetivo era não brigar. E sim fazer com que ele começasse a entender o processo. A verdade é que não rolou pra mim, eu não tive paciência. A casa inteira com cheiro de xixi, eu ficava de mal humor... Desisti!

 

Em março, finaleira do Verão resolvi, fazer mais uma investida. E aconteceu exatamente a mesma coisa!

 

Eu acho que eu estava com muita ansiedade e expectativa no processo e acabei não tendo a paciência necessária. Ou tive, porque decidi recuar mais uma vez.

 

Aí chegou agosto. Friozinho aqui no sul, clima nada favorável... Um dia eu levei o Davi junto comigo numa aula de dança, e ele ficou brincando de boa ali.

 

De repente, como se nada, ele foi ao banheiro, abaixou a calça, tirou a própria fralda e veio com ela na mão, pelado e disse:

 

"Chega mamãe, não quero mais fralda".

 

Eu fiquei chocada, porque o desfralde me parecia uma coisa tão distante!

 

Daquele dia em diante ele parou de usar fraldas no período da tarde, que era quando estava comigo. Passada uma semana inteira sem escapes, eu procurei a professora, contei tudo que aconteceu e como ele estava indo super bem. A resposta foi que era cedo, que estava frio. Mas eu me mantive firme e simplesmente não mandei mais fraldas para escola. Por alguns, dias as professoras chegaram a colocar fraldas descartáveis dos amigos nele (pensa a minha raiva!!!). Até que eu disse que não queria que elas colocassem fralda nele, e que eu iria mandar algumas de pano para o caso de acontecer alguma emergência.

 

A família (aquela mesma que disse que tinha desfraldar) ficou resistente, disse que dava trabalho e volta e meia ele voltava da casa das avós usando fralda.

 

Mas eu fui mantendo a posição dele. E foi incrível como os escapes foram raríssimos. Ele simplesmente estava pronto agora, exceto por um detalhe: o cocô.

 

Na hora de fazer cocô ele pedia: “mãe me coloca uma fralda pra eu fazer cocô?”

 

Foi assim por longos 6 meses!

 

Eu até tentei algumas vezes incentivá-lo a utilizar o penico ou o vaso, mas ele não queria saber.  Inclusive ele queria ficar com o coco um tempinho, hehehehe... Eu tentava trocar e ele me dizia que ainda estava fazendo: “Só mais um cocozinho tá mamãe?”

 

Chegou o Verão de 2016, nós de férias na casa da Vó. Fomos tomar banho de piscina da minha tia e como aqui todo mundo mora perto e não tem trânsito eu não levei nenhuma muda de roupa. Chegando lá ele, me pediu: “Mãe fralda para fazer cocô.” E eu: “AI MEU DEUS, não tem filho. Vamos tentar o vaso??”

 

Ele resistiu bastante, mas a necessidade foi maior e ele cedeu. Fizemos a maior festa! Todo mundo veio ver a obra, hahahaha! Ele se sentiu todo orgulhoso.

 

Depois disso quando voltamos para casa recolhemos todas as fraldas para dar para o Chico bebê (o irmãozinho do amigo Benjoca). Ele foi colocando comigo todas na sacola.

 

Rolaram alguns pedidos de fralda ao longo daquela semana e até o argumento “Pega uma do seu trabalho por favor!” Mas eu segui conversando com ele.  E então em janeiro de 2016, seis meses depois do início do desfralde, o Davi estava completamente desfraldado.

 

Meu aprendizado como mãe nesse processo foi enorme, mas o principal foi: confia nele, ele te guia. <3