Eu não pari - um relato sobre como o Davi veio ao mundo

Tudo começou dia 03 de dezembro de 2012, quando eu fui numa consulta de rotina do pré-natal, já com 39 semanas. Ao verificar a pressão meu obstetra comentou que não estava muito boa, não chegava a ser alta mas que eu devia ficar de olho nos sintomas. Durante a semana senti alguns sintomas, liguei pra ele umas duas vezes, recomendou repouso e ficamos mais alertas. Na segunda seguinte verificamos a pressão, estava oscilando novamente. Na quarta-feira (12/12/12) ela teve seu maior pico, liguei pra ele e pra doula, a Cris, eles ficaram de conversar sobre meu caso e me retornavam, as 20 horas o Dr. Fernando me liga. O que eu pensei na hora? Não sei, fiquei com medo, ansiosa. Acho que foi medo mesmo, medo do desconhecido. Eu sempre planejei tudo, e a situação estava ali na minha frente sem que eu pudesse planejar NADA. Liguei pro Felipe e pedi pra ele vir pra casa, nos preparamos para ir cedo pra maternidade no dia seguinte, assistimos um filme e foi assim a minha última noite em casa com o Davi na barriga.
No dia seguinte (13/12/12) o Dr Fernando me examinou logo cedo e o veredito foi o esperado: Indução. Ele deixou bem claro que iria fazer de tudo ao alcance dele para que o Davi viesse ao mundo por parto de normal, mas que havia a chance da indução falhar e aí não poderia voltar pra casa grávida, teríamos que fazer a cesárea.
Foi quando eu me lembrei das palavras da Cris na noite anterior: "Tu vais sair de lá com te bebê no colo!" Aquilo era louco, por mais que eu tivesse lido tudo possível não tem como estar preparada pra isso.
Começamos a indução com os comprimidos, eram 4. Entre cada um muita caminhada, bola suíça..
A cada exame (entre um comprimido e outro) nada, evolução zero. Nenhuma dilatação! Mas eu me agarrava as esperanças que tinha. No final do dia veio a Cris ficar comigo! Foi uma benção porque a tensão já estava muito grande. Ela chegou com um cupcake pra mim e pro Davi, uma delícia! E com o chá de bruxa dela (nunca vi chá tão gostoso, tinha gosto de esperança). A noite foi ótima, me senti com uma amiga, pedimos sushi, tomamos um pouco de vinho, ela conseguiu tirar minha cabeça da maternidade, dormi como uma pedra! Na sexta-feira acordei renovada, era o dia da ocitocina. Logo cedo o Dr Fernando veio, mais um exame, pouquíssima evolução. Mas mesmo assim iniciamos a ocitocina, e foi um dia LONGO!
Durante a manhã eu estava animada, senti contrações mais doloridas e mais longas, a cada uma eu sorria. Sim eu ficava feliz com cada dor que sentia porque eram elas que iriam me ajudar a parir o meu bebê. A tarde foi mais cansativa, eu já via todos ao meu redor exaustos, me sentia mal estar desgastando todas essas pessoas. No final do dia a Cris sugeriu que eu ficasse sozinha com o Felipe e que ele me ajudasse a tomar um banho pra relaxar. Ela apagou as luzes, colocou velas, nós ligamos o som. Tinha tudo pra ser uma delícia, mas quando chegamos no banheiro a máquina do soro começou a apitar. Chamamos as enfermeiras e elas também não conseguiam consertar. Trocaram por outras duas e nada, no final quando elas finalmente arrumaram, as velas já tinham se derretido eu já estava a mais de 40 minutos sem ocitocina e as minhas contrações tinham DESAPARECIDO. Foi quando a exaustão desses dois dias caíram nos meus ombros. Deitei do lado do Felipe e chorei, chorei como se alguém tivesse morrido, e tinha, o meu sonho de parir meu filho tinha morrido. Foi aí que eu me abracei no Felipe, agradeci por ele ficar ao meu lado, falamos do nossa trajetória até aqui, foi lindo. Lavou a alma. Foi ali que eu disse pra ele: "Não vai dar amor!"
Quando a Cris e o Dr Fernando entraram na sala pra fazer o toque eu já sabia que não ia dar, depois do exame eles confirmaram, teria que fazer a cesárea.
Tomei um banho e fui com a Cris para o centro cirúrgico, chegando lá já estavam todos, inclusive a Carol para fotografar. Olhei ao redor, chorei. Pela anestesia que doeu, por ficar de braços atados, pelos instrumentos ao redor e pelo local frio que era a sala. Quando a anestesia começou a fazer efeito, foi muito rápido, falei pra Cris: "Eu vou morrer!" E ela me disse: "Vai morrer a Laís grávida e vai nascer a Laís mãe, é isso que vai acontecer querida". E o Felipe ali do meu lado coçando meu rosto por causa da anestesia.
De repente a cris baixou o pano e lá estava ele, a coisa mais linda que eu já vi na minha vida! De olhos abertos olhando pra mim, com a boquinha bem vermelhinha e eu disse: Ele é lindo! Chorei de amor, nunca achei que fosse possível sentir algo assim, foi lindo! Eu amei o Davi na minha barriga e naquele momento eu morri mesmo, e nasci de novo com aquele amor imenso que parecia que eu ia explodir.
Quando trouxeram ele e colocaram do meu lado, foi mágico. Nós nos cheiramos e que cheiro delicioso, jamais vou esquecer aquele cheirinho!
 E foi assim que veio ao mundo o bebê mais perfeito de todos os tempos, não foi como eu sonhei mas o que importa é que ele está aqui comigo.