Meu bebê é um ser humano - por incrível que pareça

Se tem uma coisa que tem me deixado intrigada e chateada ao mesmo tempo é o fato das pessoas (adultos) não enxergarem os bebês como um semelhante.
Eu digo isso porque nós temos nos esforçado ao máximo para que o Davi estabilize da APLV. E para isso ele não pode ter nenhum tipo de contato com as substâncias alergênicas. Ou seja, qualquer pessoa que tocar nele (não precisa ser necessariamente na mão) e tiver comido algo contaminado (ou seja qualquer coisa) ou tiver usado produtos que possuem as substâncias em sua formulação (quase todos) faz com que o corpo do Davi lute contra essas substâncias (como se fosse um vírus ou algo do gênero) atrasando seu desenvolvimento e também demorando mais para que ele fique estável.

Depois que o pediatra me alertou disso eu vi como é impossível fazer com que as pessoas não toquem nele. Isso que eu ando com um sabonete do Davi na minha bolsa para que qualquer um que queria pega-lo possa usar. Quer saber quem usa? Só eu! Já terminei vários dias chorando porque o Davi teve contato e por mais que ele não tenha as crises de choro isso impede que  ele ganhe peso como um bebê normal :(
Até que eu passei a observar outros bebês e suas mães (depois de mãe me tornei uma pessoa mais observadora e reflexiva) e vi que todo mundo trata os bebês assim. E talvez você pense, qual problema?
Vejamos, nós não nos conhecemos (eu e você que está lendo, se sabe ler, logo não é um bebê), talvez até já tenhamos nos visto mas não temos intimidade alguma. Você gostaria que eu te tocasse? Te beijasse? Te colocasse no meu colo? Sem ao menos pedir a SUA permissão? Não, né? Quem gosta de ter sua privacidade invadida por um estranho? Eu não gosto e tenho certeza que você também não.
Pois é, aí voltamos ao início do texto: O bebê é uma pessoa!!! Não ele não é só um bebê.
Só porque ele não grita, não reclama, não fala, não significa que ele não merece nosso respeito. Aliás merece ainda mais!
Sabiam que o bebê humano é o que nasce mais indefeso e demora mais tempo para se desenvolver completamente até estar pronto para ficar longe mãe? O que acontece em torno dos 2 anos.
E existem outros aspectos também que comprovei minha teoria. A necessidade de que os bebês durmam sozinhos e a noite toda. Eu tenho 22 anos e não gosto de dormir sozinha. Minha avó tem 81 e também não dorme sozinha, porque um bebê de meses tem que ir para o seu quarto ficar longe da mãe? A única coisa que o conforta e deixa seguro?
Porque a sociedade é tão cruel com eles? Querem encaixar nossos filhos numa fórmula, um esteriótipo para que sejam todos iguais. Sendo que cada um deles é único!
Semana passada a pediatra A (vou chamá-las de A e B, já que temos duas) disse: Como está a amamentação? Eu disse ótima! Em livre demanda. Logo ela já veio me alertar dos "perigos" da livre demanda. Que ele choraria só por querer peito e não por estar com fome e que a educação se dava desde o berço. Me limitei a não responder, já que sou uma mera mãe e não tenho a capacidade de argumentar com um semi-deus, porque é isso que alguns médicos pensam ser (assunto pra uma nova postagem).  Mas aqui é o meu espaço e eu posso argumentar. Ora o peito não é um plástico como a mamadeira, que só serve mesmo pra dar comida. Peito é carinho, conforto. Vou negar isso ao meu filho, porque? Para educá-lo? O que vou estar ensinando? Carinho só de 3 em 3 horas? Porque isso?
Quero terminar essa postagem com um pedacinho de texto da Laura Gutman:
"Se recordarmos que o leite materno não é apenas alimento, mas, sobretudo, amor, comunicação, apoio, presença, abrigo, calor, palavra, sentido, acharemos absurdo negar o peito porque "não precisa", "já comeu" ou "é manha". Então, é manha quando precisamos de um abraço prolongado do homem que amamos?"