Negativo

Algumas semanas atrás eu consultei com uma nova gineco, até ia fazer um post sobre isso mas a correria foi tanta que o assunto acabou se perdendo. Ela me passou uns exames de rotina e eu pedi pra incluir um Beta HGC (vulgo teste de gravidez). Os dias vermelhos ainda não apareceram por aqui mas é normal por causa da amamentação. Só que ficou aquela pulga, enfim fiz o teste segunda-feira. E minutos antes de eu escrever essa postagem eu abri o resultado. Tirando o fato de que eu estou com ótimas taxas eu fiquei bem decepcionada por ver a palavra n-e-g-a-t-i-v-o. Não, eu não tô louca e também não estava tentando um positivo, mas se ele viesse tenho que admitir que eu iria ficar muito feliz. 
Foi uma tarde bem nostálgica, fiquei lembrando do Davi RN e fiquei morrendo de saudades, senti saudades também de coisas que eu não vivi e ansiei viver. Senti raiva da sociedade porque não posso ser só mãe, senti raiva de mim por me importar com dinheiro, com a opinião alheia. Senti vontade de tentar um segundo filho e ao mesmo tempo encaixotei tudo do Davi que não servia mais para guardar na casa da minha mãe. Um segundo filho pode esperar, eu posso esperar, eu devo esperar, meu corpo quer que eu espere (afinal ainda não ovulei).
Foi um turbilhão de sentimentos mas no fim foi gostoso sentir tudo isso. A ansiedade pelo resultado, o resultado e a digestão dele. Essa coisa do segundo filho veio junto comigo no dia que o Davi nasceu e no primeiro mês de vida dele nos afastou um pouco. Porque ao cortarem a minha barriga me disseram como consolo: no próximo será diferente. E aquilo ficou ecoando em mim: próximo, próximo, próximo. Passei dias idealizando um próximo filho, chorando um luto pelo parto que não tive e ainda com um bebê no colo que precisava ao máximo da minha atenção. Isso nos afastou. Demorou até eu separar o Davi do nascimento dele. Ver que ele estava ali não importasse a forma com que nasceu, era amado e que precisava muito de mim. Eu amei ele desde que o vi, mas separar o nascimento do bebê só aconteceu aos 2 meses de vida dele.
Tudo que acontece com a gente tem um motivo, eu gosto de acreditar que junto desse motivo tem um aprendizado. O positivo do Davi já me trouxe muitos aprendizados. A cesárea me trouxe a vontade de ter mais de um filho. E esse negativo me ensinou que tudo tem seu tempo.