O Tribunal da Maternidade

Logo que eu virei mãe, virei também questionadora de tudo mas principalmente de mim mesma. Sei lá acho que é vontade de me tornar a melhor pessoa possível para o meu filho, ele merece.
Daí que o bebê vem, os primeiros dias são super difíceis. No meu caso, meses. Mas passou e a gente começa a frequentar tudo que é ambiente materno, e mães AMAM trocar figurinhas. Então é grupo de facebook, encontro de mães, amizades nos mamadrómos de shopping, blogs maternos e aí vai. É muito legal, muito construtivo. Só se respira maternidade (vai cansado, aos poucos) mas nessas minhas reflexões eu me vi num tribunal.

Ora como Juíza: "Meu deus a criança toda vestida como um mini adulto" ,"Tão novinho tomando mamadeira", e por aí vai..
Outras vezes como advogada (porque a gente defende azamigas mães né): "Coitada, tem que dar conta de tudo sozinha, o marido só atrapalha", "tá certa mesmo, tem que sem importar só com ela e a criança deu" ...
Mas quando a gente senta na cadeira de réu, é ruim! Principalmente quando tocam na tua ferida que ainda não cicatrizou. Quando te fazem sentir fraca, menos empoderada, é horrível. Me fez não querer mais frequentar determinados grupos. Na hora não tive palavras! Logo eu cheia de opiniões, repostas e sem medo de abrir o bocão, é fiquei ali parada. Sem ação perto das empoderadas amamentantes e parideiras.
Na hora eu pensei, JAMAIS vou julgar alguém. Ninguém sabe o que a pessoa passou, assim como ninguém sabe o que eu passei. Por mais que esteja escrito aqui, só estando na pele pra sentir.
Mas aí que passou um mês, e eu julguei mentalmente mais vezes do que verbalmente. Menos do que antes mas julguei. Ô mania feia de ir embora hein? Aí eu fui julgada de novo, e não gostei. Pensei que ia evitar os círculos maternos, parar de participar dos grupos do facebook. Mas aí tem tanta gente linda que eu gosto de ler, de conversar. Pensei, vô ficar.
Eu tenho essa mania  de ser radical, ora eu acho lindo, ora eu acho um cocô (estamos evitando os palavrões aqui em casa). Prometi pra mim mesma que vou evitar ao máximo julgar e tentar lidar melhor com os julgamentos. Guardar o construtivo e relevar as juízas maternas que me aparecerem por aí.
É que tem hora que a gente julga só pra se sentir melhor. O ego materno é uma coisa bem complexa.
Larguei as teorias, cansei de ler livros. Acredito que até o momento temos conhecimento o suficiente, vou seguindo o coração. Só tenho lido sobre a APLV (porque essa o coração capenga as vezes). Não quero mais saber quem falhou na minha cesárea se era indicação ou não (por enquanto), não quero mais me culpar por ter usado bico e intermediário de silicone. Se foi bom ou ruim ter trazido o Davi pra nossa cama. Quero as coisas boas, eu me questiono bastante, todos os dias. Não quero mais ninguém me apontando o dedo. E não quero mais apontar o dedo pra ninguém.
Quero ser feliz, com meu filho e com o meu marido porque tribunal é coisa pra bandido (ou trabalhadores de direito).
Mães, vamos nos unir ao invés de nos afastar.