Óleos essenciais: aliados na gestação, parto e pós-parto

*Por Lisiê Silva Dalsasso Joaquim

Na gestação, parto e pós-parto a aromaterapia é uma das formas naturais que a mãe tem para abrandar os sintomas mais comuns deste período, como a ansiedade, o medo, o estresse, a irritabilidade, a insônia, a dor e a depressão. O uso milenar das plantas surgiu com o emprego terapêutico das ervas medicinais (fitoterapia) e é, sem dúvida, a medicina mais ancestral conhecida. Os óleos essenciais são produtos vegetais extraídos de plantas medicinais aromáticas; são, portanto, os perfumes das plantas. O conhecimento dos óleos essenciais é a base da aromaterapia.

A grande vantagem do uso dos óleos essenciais é que, após sentir o perfume de uma determinada planta, sua ação se dá, principalmente, através de uma resposta neuropsíquica capaz de influenciar respostas emocionais agindo rapidamente em centros nervosos. Diferente dos medicamentos que necessitam da absorção dos seus componentes químicos para que haja uma ação.

Um dos manuais médicos mais antigos que se conhece foi escrito há 4.000 a.C, no qual se mencionam as ervas aromáticas. E ao longo da história, praticamente todas as civilizações utilizavam a fitoterapia como base terapêutica.  Porém, apesar de os óleos essenciais serem produtos naturais, eles também possuem uma composição química, muito mais complexa que qualquer outro medicamento. E por isso, também podem ser absorvidos pelas mucosas nasais, ou pele, possuindo esta mesma via de ação dos medicamentos. Sendo assim, é muito importante o conhecimento das suas propriedades e o seu uso cauteloso, correto e orientado.

Ansiedade, medo, estresse, irritabilidade, insônia, dor e depressão, são alguns sintomas que podem estar presentes na vida da mãe desde a gestação. Na maioria das vezes ela é comum e não representa risco algum à mãe ou ao bebê e nem precisa ser necessariamente tratada. Contudo, manifestações como estas podem estar combinadas a sintomas físicos, e ainda despertar percepções de dor ainda mais intensas do que geralmente são.

 

Aromas como os de Laranja (Citrus sinensis), Grapefruit (Citrus paradisi), Néroli (Citrus aurantium), Cipreste (Cupressus sempervirens), Rosa de damasco (rosa damascena), Camomila Alemã (Matricaria recutita), Camomila Romana (Anthemis nobilis) e Lavanda francesa (Lavandula angustifolia) são frequentemente utilizados para abrandar os principais sintomas da gestação, como náuseas, ansiedade, medo e dor.

óleos essenciais

No parto, a maior pesquisa já realizada foi conduzida em Oxford na Inglaterra, no Hospital John Radcliffe e envolveu 8058 mulheres em trabalho de parto normal ou cesariana. O estudo levou 8 anos e foram avaliados os efeitos dos óleos essenciais na inalação e massagens (concentração 1%). Foram utilizados para alívio da dor, medo e ansiedade. Os principais aromas escolhidos foram Lavanda (L. angustifolia), Camomila Romana (Anthemis nobilis), Rosa (R. damascena). Para alívio da náusea e vômito, os aromas de Hortelã pimenta (Mentha piperita). E para aumentar a sensação de bem-estar e sentimentos positivos em relação ao parto, foram utilizados principalmente o aroma de Eucalipto (Eucalyptus glubulus), Limão (Citrus limon) e Mandarina (Citrus reticulata). O estudo também relacionou a aromaterapia no parto com a redução do uso de analgesia de 6% para 0,4%. No qual foi confirmado e complementado por outros estudos, onde citam-se também o óleo essencial de Capim-limão (cymbopogon citratura), Manjerona doce, Ylang ylang (Cananga), Bergamota (Citrus bergamia), Sálvia Esclaréia (S. sclarea), Olíbano (Boswellia sp.) e Jasmin (Jasminum officinalis) como auxiliar na redução da dor e uso de analgesia.

No pós-parto as mães enfrentam o cansaço, a fadiga, a tensão, os sentimentos de tristeza e depressão. O bebê descobre o mundo a sua volta, e interpreta-o através da sua mãe. Podem ocorrer cólicas e noites mal dormidas. Os óleos essenciais de Tangerina, Laranja e Lavanda são benéficos tanto para mãe quanto para o bebê.
E ainda nos cuidados com o bebê, os óleos essenciais podem ser utilizados nos cuidados das fraldas de pano. É utilizado principalmente o óleo essencial de Melaleuca (também chamado de Tea tree).

Contraindicações: O uso da aromaterapia está desaconselhada no primeiro trimestre da gestação. O uso dos óleos essenciais deve ser orientado e acompanhado por um aromaterapeuta experiente e com o conhecimento do obstetra.

Recomendações: Os óleos essenciais quando recomendados e liberados pelo médico para massagens, devem ser utilizados na concentração de 1%, salvo indicações expressas pelo médico ou terapeuta. E não devem se expor ao sol após a massagem.

*Lisiê Silva Dalsasso Joaquim é Farmacêutica Bioquímica (Analisa Clínica) e Fitoaromaterapeuta.

Para saber mais sobre os benefícios dos óleos essenciais acesse: www.fitoaromaterapia.com.br

Artigo para leitura: BURNS, Ethel; BLAMEY, Caroline; LLOYD, Andrew. Aromatherapy in childbirth: An effective approach to care. British Journal of Midwifery 8(10):639-643 · October 2000