Período de sombras

Uns 15 dias atrás eu vivi no meu limite, físico, mental e emocional. Não soube lidar com toda essa mudança na minha vida e mais: esqueci de prestar atenção no Davi. Ele não dormia, não comia, vivia grudado nas minhas pernas e me mordendo. Quando ele finalmente se rendia ao sono (depois de HORAS de luta) eu nem sabia por onde começar. Ficava frustrada vendo tudo por fazer e não conseguia fazer nada, qual mãe já não se sentiu assim?
Eu quis escrever sobre isso, mas vi que tava tudo muito acontecendo. Esperei passar.
Me vi várias vezes dizendo: Davi é terrível, impossível, etc. Até que eu me ouvi e pensei: sempre achei que ele fosse calmo, podia eu estar tão enganada sobre meu próprio filho?!
Até que uma alma bondosa (não lembro qual das minhas amigas foi, sorry) disse: pode ser sombra.
Tudo fez sentido, a sombra não é algo que não vemos ou que queremos esconder?
Eu não percebi que quem estava impossível ou terrível era EU! Eu que em uma semana, me dedicava quase integralmente ao meu filho e na outra queria abraçar o mundo. Responder mais de 10 emails e toneladas de mensagens pelo facebook, administrar um negócio e ainda fazer tudo que eu fazia antes.
Ele estava apenas angustiado com tudo isso e implorando pela minha atenção.
O que eu fiz pra resolver?

Primeiramente, me acalmar. Segundo, conversei com ele como uma pessoa. Disse que as coisas tinham mudado, que eu agora tinha novas obrigações e estava feliz com aquilo. Mas como é algo novo, eu ainda precisava aprender a conciliar tudo e que ele não tinha culpa e nem iria me perder (me achem louca). Depois pedi ajuda: meus pais, Felipe e até paga. Procurei me livrar de algumas tarefas e me organizar melhor. Voltei ao foca nele e procurei saídas alternativas para momentos de estresse.

Aos poucos que eu fui me organizando, eu vi as melhoras refletidas nele. Foi incrível!
De repente estava lá o meu Davi raspador de prato, dorminhoco nos seus horários de sempre. Ativo, curioso, sim! Mas terrível, jamais. Impossível? Sim, impossível não amar. Acorda sorrindo, dá beijo, faz carinho espontaneamente. Ri, dança, brinca e lê seus livrinhos. Vi o meu Davi de volta, porque eu estava de volta como a mãe que era. Ele não tinha porque ficar nervoso, se eu estava calma.
E a minha teoria só se reforçou quando Domingo novamente eu perdi a linha do equilíbrio e deixei o trabalho dominar o dia inteiro e ele logo sentiu a minha mudança, ficou inquieto e voltou a morder e fazer coisas para que eu desse atenção a ele. Mas dessa vez eu já sabia que havia falhado, logo que eu me acalmei ele também sossegou e ainda sim tivemos um final de domingo muito bom.