Quando nasce um bebê, nasce uma mãe.

Para a primeira postagem da minha semana das mães eu pensei primeiro em escrever sobre a minha mãe, afinal sem ela eu não teria nascido e por consequência o Davi também não. Não querendo ser egoísta mas já sendo, pensei: Mas se eu não fosse mãe, eu jamais iria ter a noção disso. E achei por bem começar comigo mesmo. Lembrei do momento antes do Davi nascer que eu pensei que fosse morrer e que a Cris me disse que realmente eu ia e ia nascer mãe. Não sei se ela sabe mas foi uma das frases mais marcantes da minha vida. Então achei que eu merecia contar a história do meu nascimento como mãe porque o do Davi eu já contei aqui.

Era campeonato Catarinense e eu estava saindo da aula e resolvi passar no Centro Acadêmico do meu curso no qual eu era na época vice-presidente. Como era de costume estavam todos os nossos amigos lá, era nosso ponto de encontro. Estava rindo, conversando até que estava perto de começar o jogo. Me despedi de todos, e eles dizendo pra eu e o Felipe ficarmos. Quando eu disse:  Jamais, vou pra Nina ( o bar) não perco esse jogo nem morta. Ô boca! Saindo dali escorreguei no primeiro degrau e fui parar no último daquele lance. Quem viu disse que foi cena de novela. Foi um apavoro, passei algumas semanas na cama, com muita dor, entupida de remédios. Não morri, mas quase. Alguns médicos comentaram que saí ilesa só por um milagre. Perdi o jogo e o Figueira também. Por causa da queda fiz uma bateria de exames e entre eles uma tomografia onde o Neurologista achou minha hipófise maior que o normal, encaminhou para um endocrino. Que logo já deu o diagnóstico dele: prolactinoma, tumor na hipófise (médicos me trollando since ever?? ). Ele pediu uma série de exames de hormônios, mas nem cogitou pedir um beta HCG, mesmo eu falando que a minha menstruação estava atrasada. Minha mãe (ai mães e seus instintos, que eu só entendo agora) disse faz o teste de gravidez junto com esses exames. E foi junto com ela que eu abri o resultado, em algum dia de abril. Na quitinete que eu morava sozinha no córrego, eu e ela no meu celular vendo um positivo minúsculo na tela do smartphone. Um positivo que ira mudar a minha vida, eu sabia. Mas eu não fazia idéia de como. E foram 40 semanas, intensas. De choro, de preconceito ( na maior parte vindo de mim mesma) por ter engravidado nova, de alegrias e de mudanças, muitas. De humor, de ideia, de vida, de casa, de corpo, de tudo! Comecei a gestação desejando que me dopassem, me cortassem e me acordassem só com o bebê nos braços. Terminei desejando um parto natural sem intervenções que respeitasse meu bebê e meu corpo. Primeiro quis viajar pra comprar enxoval no exterior, terminei desejando ser menos consumista e querendo mostrar pro meu filho que o que ele precisa pra viver não se compra, amor. A coisa que eu mais fiz em 40 semanas foi mudar. Amém! "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo" E numa terça-feira a noite meu celular tocou, era o obstetra pedindo que eu o encontrasse no dia seguinte na maternidade. Não consegui dormir! Ansiedade de conhecer aquele serzinho que me habitava, foram 36 horas. Longas horas. E nas últimas eu conheci um amor, e ainda não foi o de mãe. Foi o de companheiro, foi o do Felipe. Abraçados eu cantei pra ele uma música, uma única música que hoje me une a 3 pessoas especiais. A minha prima Marina (que pra mim é uma irmã), que foi quando conheci essa música, nós cantávamos ela quando eramos crianças e eu amava imaginar a história que a música conta. Durante a gravidez eu cantava essa música para o Davi e horas antes da cirurgia que me trouxe o Davi eu dividi ela com o Felipe. Foi lindo, jamais vou esquecer o que eu senti naquele momento, foi como viver um filme, o meu filme. Ali começou a minha transformação.

Um Pequenino Grão De Areia
Que Era Um Pobre Sonhador
Olhando o Céu Viu Uma Estrela
E Imaginou Coisas De Amor

Passaram Anos, Muitos Anos
Ela no Céu e Ele no Mar
Dizem Que Nunca o Pobrezinho
Pode Com Ela Encontrar

Se Houve Ou Se Não Houve
Alguma Coisa Entre Eles Dois
Ninguém Soube Até Hoje Explicar
O Que Há De Verdade
É Que Depois, Muito Depois
Apareceu a Estrela Do Mar

Aí me teletransporto pro momento que um pano azul abaixou e eu vi os olhos mais brilhantes e meu coração encheu como se fosse explodir, mas coração de mãe sempre cabe mais amor. Infelizmente ou felizmente nenhuma das fotos que foram batidas captou esse momento, vai morrer comigo na minha mente, jamais esquecerei. Todos os dias antes de dormir eu fecho os olhos e "olho" essa fotografia que só eu tenho acesso e agradeço pelo filho que tenho, pela vida que tenho e abençoo meu anjinho que já está dormindo bem juntinho de mim. Eu nasci ali, quando aquele pano abaixou e eu vi aqueles olhos, que hoje vejo que são iguais aos meus.  Eu nasci quando senti aquele cheiro de bebê, que não se compra em supermercado algum. Quando toquei aquele pele mais macia que qualquer cobertor fofinho. Eu descobri o que é ser mãe quando abraçava ele forte numa crise de choro por causa da alergia tentando pegar a dor dele pra mim. Quando me pego mesmo cansada, com fome, parada olhando pra ele  namorando aquele soninho. Desejando que cada mamada seja eterna, desejando que ele caiba pra sempre no meu colo. E ele caberá mesmo tendo 40 anos. Ele veio pra mim sem querer e mostrou como é querer alguém mais que a si mesmo. Eu quero nascer todos os dias de novo, pra ser cada vez melhor pra ele!