Vacinas parte 2 - O dia que eu cuspi pra cima

Numa consulta comentei com ela como foram as primeiras vacinas. Sobre a sobrecarga enorme que foi quando vacinaram todas as atrasadas deles de uma vez. Aí surgiu uma sugestão: Fazer metade das vacinas na particular e metade no posto. Fiz cara de alface porque sempre achei que pagar pra vacinar era jogar dinheiro fora, já que no posto todas as vacinas são oferecidas de graça. E eu já tenho pé atrás com vacina porque sei que há por traz uma indústria que lucra muito com isso. Aí pensei que era mais comércio ainda se eu pagasse a mais por isso. Mas como eu tinha dois meses entre uma e outra tive tempo pra pensar no assunto.

Pensei muito, já que minha mente materna não para.
Resolvi, cuspir pra cima e pagar. Porque?
Primeiro, vacinas já são uma bomba para o imunológico deles. Se eu chegasse no posto elas iam me enfiar as 4 agulhadas de novo, sem dó nem piedade. Porque é um protocolo que elas tem que seguir. Eu entendo em partes o lado delas, já que é uma meta do governo atingir o maior número possível de crianças vacinadas. Como elas vão ter garantia que eu vou voltar lá? Esse é o problema de morar num país com realidades tão distintas.
Segundo a Penta do posto é com o vírus vivo e a da particular é a Hexa com o vírus inativado. Já mato a Sabin com uma picada a menos, outro ponto a considerar. 
Terceiro que pra mim foi o diferencial: atendimento. Na clínica eu tenho meus direitos de consumidora garantidos. Elas tem obrigação de me atender bem e ao meu filho. Isso foi o pior do posto pra mim. Fui muito mal atendida, principalmente porque estava com as vacinas atrasadas. Mesmo explicando a condição médica do Davi, contando sobre a alergia, o processo de diagnóstico. Elas me rotularam de relapsa e meteram agulha nele sem dar tempo nem de respirar entre uma e outra. Humanização mandou lembrança pra elas.
Beleza, vamos pagar. Onde agora? Nem pensei muito porque as minhas amigas (Ana e Carol) já tinham levado as meninas na Santa Helena e falado que o atendimento era ótimo e que possuíam gerador (ponto extremamente importante). Liguei pra lá perguntei os valores 345,00 realidades.

Na quarta eu já me achando macaca velha da parada me preparei toda, bolsas, almoço, tudo. Para que meu dia fosse 100% para o Davi. Na quinta fomos um pouco mais tarde porque como é no continente quis ter certeza que não iria pegar trânsito na volta. Ah e mais uma novidade, fomos sozinhos, só eu e ele. Mas eu nem tava com medo não, estava super preparada!

Foi uma sensação estranha, entrar na Clínica que a minha gestação toda eu aprendi a temer (pra quem não conhece a fama a Santa Helena é o que há de maternidade cesarista pelas redondezas). Olhei pra ele todo lindo no meu colo e pensei "que boba ele já está aqui". Logo fomos atendidos e conhecemos a famosa Tia Cris. Um doce mesmo. Contei da alergia do Davi, ela se preocupou muito e logo foi lavando as mãos. Ficou com ele brincando enquanto eu pagava e cuidou bem para que ele não colocasse o brinquedo na boca. Aquilo já foi me dando a sensação de coisa certa a fazer. A técnica que estava junto Bárbara também foi um amor. Organizou todas as datas das vacinas na caderneta pra mim para garantir agora bons intervalos entre as doses, inclusive me orientou para as idas ao posto!
Tá tudo muito lindo, tudo muito bom mas e a vacina e as reações? Na hora da vacina, foi como eu queria como eu idealizei. Fomos respeitados, teve colo, carinho, mamá sabe o que não teve? Choro! Poisé eu fiquei de cara. Voltamos pra casa e o dia inteiro foi normal. Nem parecia que ele tinha sido vacinado. Não tivemos reações. Obviamente eu sei que essa foi a segunda dose, além da vacina particular ser menos reatogenica ele já estava mais forte. Como seria se fosse tudo na particular? Jamais vamos saber, cada bebê é único.
Valeu cada centavinho. Vamos fazer uma enxugada no orçamento com certeza para garantir as demais doses. Mas deu uma certa revolta, juntando com esse texto que a minha amiga Elisa postou no nosso grupo do facebook. É injusto que termos que pagar dobrado (porque já pagamos os impostos e essas vacinas são nossos direitos) para termos uma assistência humanizada. Mas como eu já tomei a minha pílula vermelha a um tempo. Me conformo em estabelecer prioridades. Tenho certeza que é melhor pagar por uma vacina e pelo cuidado e carinho com meu filho do que comprar um carrinho novo por exemplo. Essas são as nossas prioridades.
Todo feliz, 12 horas depois da vacina. Nem manhoso ele ficou!